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..:: Sábado, Maio 14, 2005

A SAGA DE UM CABELUDO

Meu objetivo era ter uma vasta cabeleira. Tinha enfiado essa idéia na cabeça e ela só sairia de lá se fosse em forma de cabelo. E é aí que esse episódio começa.
Quem já deixou os cabelos crescerem sabe bem a luta que é. Além da inacabável espera de ver um milímetro se quer aparecer, os fios cismam em crescer desordenadamente - alguém deveria apresentar o programa 5S pra eles.
Já contavam alguns meses sem que a tesoura passasse por ali, então achei que já era hora de dar ao menos uma ajeitada para que eles continuassem a crescer, mas de uma maneira mais uniforme. Fui então a um salão.
Acho até que o cabeleireiro tem péssimas impressões a meu respeito e certamente me acha um grande antipático. Não que eu não me importe, mas quando ele começa a puxar alguma conversa, por preguiça, me limito a responder ''arrãs'' e ''ã ãs''.
E numa dessas, por gentileza ou até por pura sacanagem mesmo, ele me perguntou, meio de relance:
- Posso secar?
Eu mais que de pressa sorteei uma resposta em minha cabeça. Seria arrã ou ã ã? Se Murphy estivesse aqui explicaria o motivo pelo o qual eu simplesmente respondi:
- Arrã! - E voltei a meu estado alfa.
De repente comecei a sentir uns puxões daqui, uma baforada quente de lá e nada daquilo acabar. Mas essas preocupações passavam de raspão por minha mente que insistia em me levar pra algum lugar muito distante dali.
- Ta pronto!
- Enfim! - Eu pensei. E me olhei no espelho para ver o resultado.
Foi grande minha surpresa quando, ao procurar meu reflexo no espelho não mais o encontrei. Em seu lugar estava Sandy, com os cabelos mais escorridos que eu já havia visto.
Entrei em desespero, mas tentei disfarçar. Só pensava em achar um boné, um lenço, um guarda chuva ou qualquer coisa que pudesse disfarçar aquela escova ridícula que se exibia na minha cabeça.
- Chuva! É isso!
Paguei o infeliz que havia me sacaneado e saí batido pelas ruas, procurando por água. Seria pedir demais, chover naquele momento, mas ainda assim eu clamava por chuva. Chuva ou qualquer coisa que pudesse molhar meus lisos e trazer meu bom e velho pixaim de volta.
Como se não fosse o bastante, alguém lá em cima resolveu soltar uma ligeira ventania, suficiente para dar um ar cinematográfico à cena, enquanto eu dava passos largos e tentava me esconder entre as colunas da galeria.
Por fim, uma luz no fim do túnel: a igreja. Não, eu não havia me convertido! Mas onde há igreja, há água, eu pensei, lembrando dos batismos que sempre acontecem por lá.
Corri e entrei na igreja, que era oásis naquele momento.
- O banheiro!
Me dirigi discretamente até o banheiro e molhei o quanto pude, os cabelos. Molhado e descabelado, dei fim à minha aventura capilar.

Por Thiago, às 21:39.

Morda! - mordida(s) até então.