BLOGS

Botequim Poético

Depois dos Vinte

Entre outras mil

Minhas telhas

Censura Zero

O Diário de Todos os Dias News

Pura Misantropia

Qu4tro Par3des

Quem tem medo de Baby Jane?


..:: Domingo, Novembro 18, 2007

CORPO FECHADO


Homenagem a João Guimarães Rosa em instalações sobre o conto Corpo Fechado.

Instalações feitas pelos quartos períodos do curso de Artes Visuais do UBM, sob a orientação de Cristine Borowski. Em exposição atá o dia 9 de dezembro, na Fazenda da Posse, em Barra Mansa. Visitações de quarta-feira a domingo, das 11h às 17h.


Do pó ao pó - Instalação do meu grupo



A morte é um pouquinho da vida.

Por Thiago, às 16:59.

Morda! - mordida(s) até então.
..:: Terça-feira, Novembro 13, 2007

Sobre músicas geniais para crianças e que, por isso, acabam nos encantando também.

Cultura
(Arnaldo Antunes - Palavra Cantada)

O girino é o peixinho do sapo
O silêncio é o começo do papo
O bigode é a antena do gato
O cavalo é o pasto do carrapato
O cabrito é o cordeiro da cabra
O pescoço é a barriga da cobra
O leitão é um porquinho mais novo
A galinha é um pouquinho do ovo
O desejo é o começo do corpo
Engordar é a tarefa do porco
A cegonha é a girafa do ganso
O cachorro é um lobo mais manso
O escuro é a metade da zebra
As raizes são as veias da seiva
O camelo é um cavalo sem sede
Tartaruga por dentro é parede
O potrinho é o bezerro da égua
A batalha é o começo da trégua
Papagaio é um dragão miniatura
Bactérias no meio é cultura

Para ouvir: Cultura - Arnaldo Antunes.

Por Thiago, às 12:21.

Morda! - mordida(s) até então.
..:: Sexta-feira, Junho 01, 2007

Outro dia assisti Dançando no Escuro, um filme de Lars Von Trier. A fantástica atuação de Björk como Selma, a genialidade da direção, a delicadeza e a brutalidade do filme fazem valer a pena o estado de desidratação em que o cidadão acaba ficando depois da sessão. É daqueles filmes que a gente não pode passar sem ver.





Na cena, Selma canta My Favorite Things, tentando afastar o sofrimento da cadeia. O que dizer? Credo!

Por Thiago, às 23:15.

Morda! - mordida(s) até então.
..:: Quinta-feira, Abril 12, 2007




Banksy: Flower Chucker.


Vale a pena conferir os trabalhos dele: www.banksy.co.uk.

Por Thiago, às 15:39.

Morda! - mordida(s) até então.
..:: Domingo, Julho 23, 2006

Provisóriamente sem nome.

PARTE 1

Ela chora na cama. E é ali onde ninguém a vê, ninguém a sente, ninguém a toca. Ela chora em mais uma tentativa de lavar a lama espalhada por ele. E molha o lençol, e é violenta com os panos.
Silenciosa, ela vomita as suas mágoas. A cama é sua esfera, é uma extensão do seu corpo, onde sua alma se manifesta e deixa um pouco do seu rastro doloroso, sem que percebam.
Quando sai da sua cama, o seu corpo responde ao mundo como deve ser; há hipocrisia. Respira fundo, já é forte, recorre ao espelho para reconstruir sua fachada de porcelana e volta para a sala de jantar.

Ela:
- Não encontrei as chaves, amor. Tem mesmo certeza de que não estão com você?

O Marido:
- Já encontrei. Volto logo! (ao ouvido ele diz) Eu te amo.

Ela:
- Pra sempre?

Ele:
- (num gesto grande, para todos da sala) Sempre! (e sai)


Aprendera a mentir com o corpo mas, apesar de sua aparente força, os olhos não negavam sua aflição. Olhavam fixamente para um horizonte que atravessava as paredes do seu peito. Antes que pudesse desmoronar, volta a ajeitar a mesa.

Ela:
- Minha filha, você vai trazer ou não os talheres pra mesa?

Por Thiago, às 00:30.

Morda! - mordida(s) até então.
..:: Terça-feira, Julho 04, 2006

ÓRBITA SILENCIOSA

O meu mundo começa e termina em mim
Assim é a rota da minha esfera
Não gira em torno de nada
Porque é ela o centro
Sempre dentro, ninguém toca
O ritmo que crio é estranho
Se repete como num cânone doloroso
Se abro a boca, me sufoca
E volta a girar
E me cortar
A boca, falsa
Sorri

Por Thiago, às 22:51.

Morda! - mordida(s) até então.

EM CASA DE AMÁLIA

O pilar fundamental da obra de Amália Rodrigues era o encontro do fado e da poesia. E era esse encontro que ela promovia em serões em sua casa, com poetas de sua preferência.

Numa dessas noites, um dos poetas convidados de Amália foi o nosso brasileiro Vinicius de Moraes. Graças a microfones postos em vasos de flores, esta noite foi registrada e, posteriormente, editada num álbum que ganhou o nome Amália/Vinícius.

Outro poeta (este, português) presente neste registro é José Carlos Ary dos Santos, autor da poesia que irei postar agora. É certo, o poema não ilustra a presença de Vinicius e de Amália, mas ainda assim é ótimo, divertido. No mais, deixo um linque com outras informações sobre o álbum como letras, textos e trechos de algumas faixas.



O tal linque.



O OBJECTO

Há que dizer-se das coisas
o somenos que elas são.
Se for um copo é um copo
se for um cão é um cão.
Mas quando o copo se parte
e quando o cão faz ão ão?
Então o copo é um caco
e um cão não passa dum cão.

Quatro cacos são um copo
quatro latidos um cão.
Mas se forem de vidraça
e logo forem janela?
Mas se forem de pirraça
e logo forem cadela?

E se o copo for rachado?
E se o cão não tiver dono?
Não é um copo é um gato
não é um cão é um chato
que nos interrompe o sono.

E se o chato não for chato
e apenas cão sem coleira?
E se o copo for de sopa?
Não é um copo é um prato
não é um cão é literato
que anda sem eira nem beira
e não ganha para a roupa.

E se o prato for de merda
e o literato de esquerda?
Parte-se o prato que é caco
mata-se o vate que é cão
e escreveremos então
parte prato sape gato
vai-te vate foge cão

Assim se chamam as coisas
pelos nomes que elas são.

José Carlos Ary dos Santos

Por Thiago, às 11:46.

Morda! - mordida(s) até então.
..:: Quinta-feira, Junho 29, 2006

FRANÇOISE HARDY


Mais uma descoberta de meu amigo Zandonadi: Françoise Hardy, uma francesa tão linda quanto a sua voz. Há vários vídeos dela no You Tube e o linque de um deles está aqui, com a letra e a tradução. Aprecie!


Clique aqui para assistir ao vídeo de L'amitié.


Françoise Hardy - L'amitié
by Paroles: Jean-Max Rivière. Musique: Gérard Bourgeois 1965 © 1965 - Disque vogue

Beaucoup de mes amis sont venus des nuages
Avec soleil et pluie comme simples bagages
Ils ont fait la saison des amitiés sincères
La plus belle saison des quatre de la terre
Ils ont cette douceur des plus beaux paysages
Et la fidélité des oiseaux de passage
Dans leurs c¿urs est gravée une infinie tendresse
Mais parfois dans leurs yeux se glisse la tristesse
Alors, ils viennent se chauffer chez moi
Et toi aussi tu viendras
Tu pourras repartir au fin fond des nuages
Et de nouveau sourire à bien d'autres visages
Donner autour de toi un peu de ta tendresse
Lorsqu'un autre voudra te cacher sa tristesse
Comme l'on ne sait pas ce que la vie nous donne
Il se peut qu'à mon tour je ne sois plus personne
S'il me reste un ami qui vraiment me comprenne
J'oublierai à la fois mes larmes et mes peines
Alors, peut-être je viendrai chez toi
Chauffer mon cour à ton bois


A amizade
(tradução)

Muitos dos meus amigos vieram das nuvens
Com o sol e a chuva como bagagem
Fizeram a estação da amizade sincera
A mais bela das quatro estações da terra
Tem a doçura das mais belas paisagens
E a felicidade dos pássaros migradores
Em seu coração esta gravada uma ternura infinita
Mas, às vezes, uma tristeza aparece em seus olhos
Então, vem se aquecer comigo
E você também virá
Poderá retornar às nuvens
E sorrir de novo a outros rostos
Distribuir à sua volta um pouco da sua ternura
Quando alguém quiser esconder sua tristeza
Como não sabemos o que a vida nos dá
Talvez eu não seja mias ninguém
Se me resta um amigo que realmente me compreenda
Me esquecerei das lágrimas e penas
Então talvez eu vá até você aquecer
Meu coração com sua chama

Por Thiago, às 09:51.

Morda! - mordida(s) até então.
..:: Sábado, Março 11, 2006

PIET MONDRIAN


Mondrian passa por um período em que seus trabalhos são baseados na estilização cubista, mas se dá conta de que o cubismo não desenvolvia a arte abstrata até seu limite extremo: a expressão da realidade pura.

Surge o pensamento compartilhado por ele de que a natureza é a pergunta e a arte é a resposta. Ou seja: que a arte não é uma expressão da natureza, mas um outro mundo, em si, não menos importante que a própria natureza.



Composição número X - 1939-1942






Compomposição com Vermelho - 1939






Broadway Boogie Woogie - 1942-1943

Por Thiago, às 01:02.

Morda! - mordida(s) até então.
..:: Segunda-feira, Dezembro 26, 2005

GOTA D'ÁGUA


Em 1975, Chico escreveu com Paulo Pontes a peça Gota d'água, a partir de um projeto de Oduvaldo Viana Filho, que já havia feito uma adaptação de Medéia, de Eurípedes, para a televisão.
A tragédia urbana, em forma de poema com mais de quatro mil versos, tem como pano de fundo as agruras sofridas pelos moradores de um conjunto habitacional, a Vila do Meio-dia, e, no centro, a relação entre Joana e Jasão, um compositor popular cooptado pelo poderoso empresário Creonte. Jasão termina por largar Joana e os dois filhos para casar-se com Alma, a filha do empresário. A primeira montagem teve Bibi Ferreira no papel de Joana e a direção de Gianni Ratto.

JOANA
Tudo está na natureza
encadeado e em movimento -
cuspe, veneno, tristeza,
carne, moinho, lamento,
ódio, dor, cebola e coentro,
gordura, sangue, frieza,
isso tudo está no centro
de uma mesma e estranha mesa
Misture cada elemento -
uma pitada de dor,
uma colher de fomento,
uma gota de terror
O suco dos sentimentos,
raiva, medo ou desamor,
produz novos condimentos,
lágrima, pus e suor
Mas inverta o segmento,
intensifique a mistura,
temperódio, lagrimento,
sangalho com tristezura,
carnento, venemoinho,
remexa tudo por dentro,
passe tudo no moinho,
moa a carne, sangre o coentro,
chore e envenene a gordura
Você terá um ungüento,
uma baba, grossa e escura,
essência do meu tormento
e molho de uma fritura
de paladar violento
que, engolindo, a criatura
repara o meu sofrimento
co'a morte, lenta e segura

JOANA
(Vestindo os filhos)
Eles pensam que a maré vai mas nunca volta
Até agora eles estavam comandando
o meu destino e eu fui, fui, fui, fui recuando,
recolhendo fúrias. Hoje eu sou onda solta
e tão forte quanto eles me imaginam fraca
Quando eles virem invertida a correnteza,
quero saber se eles resistem à surpresa,
quero ver como eles reagem à ressaca.


Material gentilmente furtado de meu grande amigo, Dan. Ele disponibilizou, ainda, um arquivo mp3 com Bibi recitando essa poesia. Como ele mesmo disse: uma cousa! Portanto clique aqui, acesse o site e baixe o arquivo. Não há como se arrepender.

Por Thiago, às 22:48.

Morda! - mordida(s) até então.
..:: Terça-feira, Setembro 20, 2005




ELENCO
Aline Barros;
Angélica Freire;
Antonio Carlos Jr.;
Camila Fraga;
Cláudio Delunardo;
Elvis Richard;
Felippe Terra;
Luana Fonseca;
Lucy Ramos;
Marcelo Costa;
Raphael Lopes;
Renata de Castro;
Jaqueline Machado;
Thiago Delleprane.


CORPO E COREOGRAFIA
Djanira de Paula.


Abertura da temporada no próximo sábado (24-09), às 20 horas, no Sest-Senat. Os ingressos antecipados já estão sendo vendidos a R$8,00 e no dia do espetáculo, serão vendidos a R$10,00. Estudantes, idosos e associados do clube pagam meia.
Mais informações pelo telefone: (24) 3324-1070.

Por Thiago, às 23:59.

Morda! - mordida(s) até então.
..:: Terça-feira, Setembro 06, 2005

VERMELHO

Qualquer palavra que seja, não irá apagar o que fiz, nem mesmo amenizar. Por isso, agora, não vou tentar me arrepender ou flagelar. Vou deixar o sangue escorrer até que o chão fique vermelho, como o deserto que povoa minha vida e até que a vida deserte o corpo ainda úmido.
E não escrevo pra explicar, o contrário, quero saber que nunca vão me entender. Por mais que tentem, percorram vestígios, suspeitem, criem hipóteses, jamais tocarão no que levarei comigo: os meus porquês. Só notarão o que vêem, as letras trêmulas de prazer, as marcas de sangue na folha e o deserto vermelho no chão, no corpo e em mim.

Por Thiago, às 23:46.

Morda! - mordida(s) até então.
..:: Quinta-feira, Setembro 01, 2005

Este ano, andei me aventurando no teatro e fui parar no elenco de Romeu e Julieta. O espetáculo, que tem a direção de Bernardo Maurício, estréia no dia 24 de setembro aqui em Barra Mansa, no Sest-Senat. Quando o material de divulgação estiver pronto, postarei mais detalhes sobre a peça - mas já sintam-se convidados, oquei?

Depois de tantos ensaios, foi impossível sair ileso (ainda bem). Um dos resquícios disso tudo é esse poema que escrevi há pouco:

ROMEU E JULIETA

Somos um soco suave na cara
E o sangue escorrendo na boca
Somos línguas entrelaçadas
Entre amargos palavrões
Entre os vãos
Nas vias do seu ar
Nas artérias do seu mar
Sou barreiras

Há ingenuidade quando nos atracamos
Nos mordemos com leveza
No labirinto das nossas paixões
As saídas esconderam
Nossos nomes escreveram
Tanto ódio em rios vermelhos
Sem saber que nossas vidas
Imoladas, os estancarão

Por Thiago, às 21:18.

Morda! - mordida(s) até então.
..:: Sábado, Junho 11, 2005

O CRIME DA SARDINHA

Tinha muita gente em volta dela e a maioria com olhares esbugalhados. Não era pra menos, não é todo dia que se vê alguém bater as botas assim, no meio da rua. Muito menos quando a falecida exibe um traje tão excêntrico quanto aquela fantasia de sardinha.

- Quando ouvi os tiros, me escondi na primeira lojinha que vi pela frente. Só pude ver um carro bege, saindo em disparada!

- Ela tava atravessando a rua. O carro avançou o sinal e parou bem ao lado dela.

- Eu estava bem ali, perto da banca de jornais. Vi quando atiraram na coitada de dentro do carro. Foram 3 tiros, pobrezinha!

- Olha, eu tenho lá minhas dúvidas. Eu nunca confiei muito nessa sardinha, viu!

- Eu também não. Acho que ela estava envolvida no tráfico!

- Será?!? Mas ela trabalhava na peixaria Zé Peixão.

- Pura conveniência! Quem ia desconfiar de uma sardinha?

- É...

- Pois é...

- Que horror!

- É...

O zum-zum-zum só aumentou quando a ambulância se aproximou do local, estacionou e expeliu alguns para-médicos. Apesar dos avisos da população alvoroçada, de que a vítima já tinha feito a passagem, os homenzinhos de uniforme não deram a menor trela.

- Pessoal, vamos dar licença! Precisamos socorrer a vítima.

Não demoraram muito para notar que já não havia mais nada a fazer. Estava mesmo, a estatelada sardinha, mortinha da Silva. A polícia, nesse momento, também já estava por ali levantando algumas informações sobre o caso. Observavam o corpo da vítima e conversavam com alguns dos presentes que disputavam para contar sua versão do bizarro assassinato.
Foi uma longa e inesquecível tarde pra aquela cidadezinha. Os curiosos só arredaram pé dali quando o corpo foi recolhido, encaixotado e levado embora. Quem viu, conta até hoje a história da sardinha que, como tantas outras, acabou enlatada.

Por Thiago, às 19:38.

Morda! - mordida(s) até então.
..:: Segunda-feira, Junho 06, 2005

SEGUNDA-FEIRA

"Depois de quase 9 minutos e meio de atraso, o ônibus apareceu. Abarrotado, como já esperava. Também já sabia que, como em todos os outros dias de chuva, a mira perfeita do motorista acoplaria a porta do veículo a uma enorme e lamacenta poça. Batata!"

Segunda-feira, para muitos, é o dia do mau humor. Por mais que tenha se descansado muito, visto TV, até mesmo dado aquela faxina na casa, a segunda feira sempre chega de repente, acabando com a alegria justo quando a coisa estava ficando boa. E para Simone não era diferente.
Acordava muito cedo, irritada com o despertador que insistia em lembrar que já era hora de dar adeus à cama. Contendo toda sua ira contra aquele aparelhinho infernal, delicadamente o calava. Outros cinco já haviam passado por sua cabeceira e tiveram fins trágicos, normalmente arremessados contra a parede. Até que funcionava, mas o prejuízo era sempre em dobro: um esporro do gerente, pelo atraso e a compra de um novo despertador. Por isso, achou melhor conter seus impulsos matinais.
Tomar banho, se enxugar, vestir o uniforme, pentear os cabelos, tomar café, escovar os dentes, pintar a cara e dirigir-se ao ponto de ônibus. Tudo isso com muita, muita pressa. Assim Simone estava pronta para mais um dia de trabalho e, no ônibus, aproveitava o tempo pra rabiscar alguma coisa em seu diário.

"Hoje eu contei cada minuto das quase 8 horas em que me desdobrei tentando vender roupas e assessórios àquelas madames. Foram 460, já descontados dos meus míseros 20 minutos de almoço. Muito movimento, poucas vendas e meu horário de almoço mutilado. Já deveria ter me acostumado, mas não consegui."

Parecia acreditar que havia alguém a esperando em seu lar, por isso saía sempre apressada da loja. Às vezes corria, a fim de tomar o ônibus mais cedo. Mas quando abria a porta de sua casa encontrava sempre o mesmo: nada. Olhava os cantos, paredes e piso, mas as marcas não eram suas. Um desenho a lápis na parede do corredor insinuava que uma criança havia morado ali, além de indicar que sua casa estava precisando de uma boa pintura. E não eram apenas as paredes que precisavam de reformas, os pisos, o teto, a fachada e, principalmente ela. O vazio do seu habitat não havia invadido seu peito, pelo contrário. Seu interior é que estava refletido ali, e impregnado por todas as partes.
Mas conseguia distrair o oco que se esfregava o tempo todo, em sua cara, lendo seus romances de banca de jornal ou mesmo assistindo a tv. Normalmente se chocava muito com o noticiário, sempre carregado de muitas tragédias e mazelas mil. Como se alguém a escutasse, fazia comentários do tipo "O mundo está mesmo perdido!". Também se emocionava ao ver as cenas da sua novela preferida, se imaginando no lugar da protagonista que, mesmo sofrendo muito, sempre se dava bem no final. E assim ela se arrastava em sua vida que mais parecia uma eterna segunda-feira, até encontrar seu fim que, sonhava, não seria diferente dos que viu nos folhetins.

Por Thiago, às 23:28.

Morda! - mordida(s) até então.